quarta-feira, 3 de junho de 2009

nãocurti.

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Eu tou meio que numa crise existencial. Tipoassim, passei a minha vida inteira acreditando que queria fazer Jornalismo. OK, não a vida inteeeeira... Mas pelo menos uns dois anos, sim.
E de uma hora pra outra eu simplesmente não sei mais.

Fui ontem na sede de um jornal daqui. A gente vai fazer a edição de uma das tiragens (eu e mais uns 30 estudantes), que vai sair no dia 11 de Agosto. Tava toda animada, pensando que ia conhecer um monte de jornalista, ver bloquinhos espalhados pelas mesas, gente tomando cafézinho ao lado de máquinas de café, pessoas correndo de um lado pro outro e escrevendo loucamente, telefone tocando... Aquele barulhinho de teclado e blablablá.
Eu só conheci a sala de redação. Era grande e cheia de computadores. Os computadores ficavam enfileirados na horizontal, e apesar de ter quase uns 50 na sala inteira, não havia muita gente trabalhando lá. Tinha um homem com cara de fã de Los Hermanos (barba, sandálias, calça xadrez); outros homens mais velhos e umas mulheres com mais ou menos 50 anos.
Na maior parede da sala tinha aqueles armários de vestiário de colégio, sabe? Uns quadradinhos coloridos e pequenos, com cadeados pras pessoas colocarem suas coisas dentro. Em cada armariozinho - e eu não tou brincando - tinha um mooooonte de adesivos da Hello Kitty, Bad Boy, Ursinho Pooh e derivados. Daqueles de caderno mesmo. Não tinha máquina de café. Nem tinha ninguém com um cafezinho na mão. Nem nas mesas. O único líquido que eu vi foi uma garrafa d'água pela metade, em cima de uma das mesas. Certo.

Então chamaram uma mulher que tava escrevendo na redação pra falar com a gente; ela tinha uns 25 anos, mais ou menos, usava óculos e tinha cabelos curtos e pretos.
A mulher olha pra mim e pra umas três pessoas e pergunta "Vocês todos vão fazer Jornalismo, é? Calma, quantos anos vocês têm?... Ainda têm tempo de se salvar, não se preocupem, vocês ainda têm tempo de desistir".
Silêncio mental pra mim.
Passa outro homem mais velho, com uns 50 e poucos anos; para, encara a gente, sorri, vira e fala: "Ah, essas crianças de 15... 16... 17 anos..."; faz uma cara sonhadora que se mistura com pena e vai embora.
Silêncio mental pra mim.
Depois chamam outra mulher pra falar com a gente; uma mulher que escreve pro caderno de Economia. Ela chega e perguntam "Há quanto tempo você trabalha aqui?" "Dez."
Foi, tipoassim: "háquantotempovocêtrabalhaaquidez". E não foi um "DEZ", foi um "dez"; um dez insatisfeito.
MAIS silêncio mental.

Eu não gostei. Não gostei de nada que eu vi (ok, só gostei da tela do computador que tinha uma matéria com o título "Lula-alguma-coisa-corrupção", e do lado um "falta acabar de escrever"), mas, de qualquer jeito, só vi isso em UM computador.
Eu não quero crescer e fazer Jornalismo e ficar falando pra pobres crianças de 15 anos que elas ainda têm tempo de desistir. Eu quero falar "façaméótimovocêsvãoadorarqueremtomarcaféolhaamatériaqueeuescrevi".

Ok? ):